sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O motoqueiro e a velhinha

O motoqueiro e a velhinha


Precisava comprar lãs nesta semana para tricotar um cachecol e tive que ir até o centro de Osasco. Normalmente compro pela internet, mas tinha pressa, daí estacionei meu carro na praça padroeira do Brasil e fui até uma lojinha de lãs na rua da Besni. Comprei rapidamente o que precisava, pois só coloquei 30 minutos na zona azul  e deparei com uma cena que tem acionado meu estado de alerta com relação a raça humana.


O trânsito na rua da Besni estava bem congestionado. Os carros aguardavam o semáforo da Av. Maria Campos abrir. Um casal de velhinhos estava atravessando a faixa de pedestres entre os carros parados. Um motoqueiro não percebe o casal passando, e quase os atropela. Inicia aí uma série de impropérios. A velhinha irritada xinga o motoqueiro e o motoqueiro xinga a velhinha. 

O velhinho puxa a velhinha pelo braço e caminham apressadamente para a praça Padroeira do Brasil, e o motoqueiro continua disparando seus mísseis de raiva e ira contra os dois. A velhinha vira para trás e revida e o velhinho a puxa, querendo se livrar do desconforto.


E eu, no fogo cruzado, louca para dizer que as leis de trânsito também são para motoqueiros e que faixa de pedestre é para pedestre. 


Em outros tempos, diante do incidente, o motoqueiro diria: - Foi mal, dona… tava com uma pressa danada e nem vi a senhora. Desculpa aí, a senhora tá bem?!

E a velhinha : - ô meu filho, que susto levei… mas que bom que ninguém se machucou… presta mais atenção, aqui é uma faixa de pedestres, mas enfim… tá tudo bem, vai em paz. 


E a vida seguiria seu fluxo, mas eu não sei quando esses bons e básicos costumes se perderam. Hoje é tudo motivo para guerra. É muita gente armada em todos os sentidos. 







sexta-feira, 3 de junho de 2022

Qual é a mentira que contaram pra você?

 Um moço sentado e cansado na beira de um poço num dia muito quente. Uma moça aparece para tirar água. 

- Dá um pouco de água? - diz o moço. 

A vida inteira contaram pra essa moça que pessoas como aquele jovem eram inimigos. 

A vida inteira contaram para aquela moça que o lado dela é que era o correto.

 Esse moço do poço era Jesus e ele desmente todo esse mal entendido.

Somos muito binários, somos propensos a divisão e quase imperceptivelmente estamos  

numa torcida organizada, numa marcha dizendo que o nosso lado é o correto.

Na nossa infantilidade queremos criar 3 cabaninhas, separando Jesus, Elias e Moisés e isso é cortina de fumaça, é distração, pois  logo vem a revelação do próprio Deus dizendo que ouçam a Jesus.

E assim mentiras vão sendo contadas pra gente no decorrer da vida.

Na década de  70, eu era uma criança e contaram para mim que a mulher da rua de cima era desquitada. Era como se essa mulher tivesse uma doença contagiosa e que devia atravessar a rua e nunca falar com ela. Contaram que  minha vizinha era espírita  e eu  morria de medo dela  achando  que na sua casa tinha fantasmas por todos os lados. Um parente nosso foi expulso de casa por namorar uma jovem preta e eu não entendia o porquê. Sim… eu… aquela menininha de 5 ou 6 anos que presenciou tudo isso. Naqueles anos 70 não tinha muito conhecimento das coisas, pessoas contavam coisas e a gente simplesmente acreditava.



Anos se passaram, existe uma gama imensa de conhecimento, mas ainda tem tanta gente assim…acreditando em tudo que lhe conta, promovendo tantas rachaduras, tantas dissensões e discursos de ódio.  As mentiras continuam a ser contadas com outras roupagens, como se fossem verdades absolutas ou até meias verdades e sempre tem gente caindo na mentira criada pelos homens. 

E como perceber se estou sendo enganada? 

É beber da água da vida - Jesus. Ele nos deixou o seu exemplo, a sua vida.

Daquele que não faz acepção de pessoas e olha com generosidade para o diferente. Daquele que não vê sexo, mas vê corações.

Daquele tira cargas pesadas impostas pelos homens

Daquele que passa pela vida com leveza. 

Daquele cuja a linguagem é o Amor. 

Daquele que não tem pacto com o pai da mentira. 

Daquele que vê corações que adoram a Deus em espírito e verdade.

 Se tiver disponível em seu coração,  ofereça água de Jesus para quem tem sede, mas sem o combo da carga pesada de um deus estranho. 


Em amor e na luz


Lina


Nota 1: Baseado nas passagens bíblicas:  João 4:6-42 e Mateus 17:1-8,  as quais tenho meditado nesses dias. 

Nota 2:

Escrevi esse texto nessa madrugada de 03 de junho de 2022. Voltei pra cama sonolenta e tive um sonho estranho:  Estava no último andar de um sobrado quentinho e seguro com o meu filho. Lá fora, estava muito escuro. Um verdadeiro breu. Ouvi uma voz no meu coração para que eu abrisse a janela a fim de  sair a claridade da casa, dissipar aquelas trevas,  afugentar ladrões que ali rondavam se aproveitando da escuridão e mostrar que tinha gente habitando ali.

 Lembrei do livro Desconstrução e outros textos como o Diferente que tento trazer um pouco de luz sobre tantas mentiras que nos contaram. 

"O diferente" - http://linolica.blogspot.com/2021/06/o-diferente.html

 E para quem não leu meu livro "Desconstrução", ele está na Amazon e você pode adquirir pelos links:


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Chip na mão

 E te será por sinal sobre tua mão e por lembrança entre teus olhos, para que a lei do Senhor esteja em tua boca; porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egito. Êxodo 13:9



 

Estou lendo o livro de êxodo e me deparei com esse versículo. Sim… eu amo esse livro, embora ando assustada com tantas "manipulações" e "teorias da conspiração" embasadas em versículos bíblicos.


Ao ler esse versículo, sorri, recordando  de uma oração que fiz no ano de 1999 e que tenho feito nas minhas preces corriqueiras e diárias: "Senhor… abençoa minhas mãos e me capacita...". 


Naquele ano de 1999 me propus a ensinar informática para crianças, mas não sabia o que viria pela frente. Na verdade era formada em letras e não tinha capacitação para essa área, apenas poucas experiências “fuçando” computadores.  No meu íntimo, estava assustada e por isso, pedi direção de Deus naquilo que iria fazer. E todos os dias, nas minhas preces corriqueiras, sempre digo: - Capacita-me!


Seja ensinando meninos a mexer em computador, seja fazendo roteiros de viagem e mochilando para países que mal sei a língua,  seja ensinando meninos a construir robôs e programando, seja tricotando uma peça de crochê, seja escrevendo um texto ou poema, seja ensinando pessoas a plantar em hortas hidropônicas, seja assando bolos, seja simplesmente sendo mãe/esposa, sei lá… às vezes até esqueço dos desafios que propus em fazer no decorrer da minha existência.


 No meu dia a dia nunca pedi a Deus para ser rica, ter altos cargos, pelo contrário, acho tudo isso muito cansativo. Gosto de ter liberdade e leveza para criar, ou seja,  usar minhas mãos para fazer coisas legais. Esse foi o chip que pedi a Deus para por em minhas mãos naquele ano de 1999. Já ouvi muita teoria absurda sobre chip de vacina, marca da besta etc… Eu prefiro acreditar no "chip" que Deus implanta em nossas vidas vem através de orações sinceras pedindo a Jesus sabedoria no nosso caminhar, sem ferir a existência de NINGUÉM, mas promover atos de vida. Não sou uma Madre Tereza de Calcutá, mas gosto de semear coisas boas, sem divisões por "castas", e sei que o contrário disso é anti vida… talvez tenha muita gente já tenha implantado esse chip através de racismo, homofobia, divisões e por aí afora e nem tenha percebido. 


Foi nisso que pensei hoje…


Lina Linólica 


20/01/2022


Gostou dessa meditação? aproveita para ler também "o diferente" - http://linolica.blogspot.com/2021/06/o-diferente.html


ou


QUAL MENTIRA CONTARAM PARA VOCÊ?



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terça-feira, 22 de junho de 2021

O Diferente

 O DIFERENTE


As Escrituras podem nos tornar assassinos ou sábios. Pelo visto, esta frase foi a que mais impactou os leitores do meu livro nos feedbacks que recebi. Preciso confessar que teve um capítulo que não consegui escrever, que era justamente sobre um assassino.


Foi em 2004 quando ouvi a seguinte palavra no meu coração: “- Cuidado, Hamã no Poder”.  Era uma peça de um quebra cabeça que não conseguia montar, mas a beleza das escrituras consiste nisso: uma mescla de peças que vai se ajustando até formar uma linda imagem. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando até ser dia perfeito” 


  1. O Diferente


Imagine-se num lugar onde você é diferente de quase todo mundo e não consegue  se enquadrar naquele padrão. Algumas pessoas te olham meio desconfiadas e outras desejam-lhe a morte. E a coisa se intensifica tanto que uma fake news sobre o seu jeito de ser, bem elaborada, cheia de meias verdades chega até o líder daquele lugar. Agora a sua vida e de todos aqueles que não se enquadram naquele padrão estão condenados à morte. 

 

Não é fácil ser diferente num lugar assim e muitas vezes é necessário mentir ou omitir sobre sua identidade. O opressor não tem empatia, apenas a certeza absoluta de que o diferente precisa morrer, por não seguir os padrões absolutos da sua religião.


  1. Quem são as personagens:


Ester - uma linda moça que esconde a sua identidade, pois é perigoso ser o que ela era. Casa-se com o rei, omitindo essa informação. 


Mordecai - Não omite sobre quem é, se recusa ser igual a todo mundo e, por ser assim, traz desconforto para aqueles que não pensam como ele, sendo julgado muitas vezes como rebelde, ou algo do gênero.  Discretamente, ele salva o rei de ser morto e ninguém nem faz nada por isso.


Hamã -  Um homem de família, casado com Zeres, pai de 10 filhos. Abaixo do rei, ele era a maior autoridade. Bem sucedido, tinha tanto zelo e amor pelo país que criou um decreto para exterminar um pequeno grupo “rebelde” que agia diferente de todo mundo daquele lugar, prometendo inclusive lucro aos cofres públicos. “E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumpre as leis do rei; por isso não convém ao rei deixá-lo ficar.

Se bem parecer ao rei, decrete-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei.” Ester 3:8-9. Pelo menos foi assim que ele se apresentou ao rei, mas a verdade é que Hamã tinha uma raiva mortal de Mordecai e, de forma sutil e ardilosa, transformou uma meia verdade em um decreto de morte. Era o assassino, o vilão dessa trama, mas  ninguém percebia. 


Rei Assuero - Distraído, acaba assinando o decreto de Hamã, porque não pesquisou direito à informação e tudo parece bem: “bora beber e comemorar, afinal é só um povinho sem valor". Que diferença faria para a humanidade? Já que eles não têm nada a agregar, nem  proximidade havia com o povo em questão... - “Sabe de nada, inocente…”


3. E o que aconteceu? 


Hamã consegue o que quer. O rei assina o decreto de morte aos diferentes.


Só que o Rei Assuero, ao saber que sua linda esposa fazia parte deste “grupo dos diferentes” e, que o homem que tinha lhe salvado não era tão perigoso como Hamã havia “pintado”, ficou desesperado. A lei já tinha sido publicada e não podia ser cancelada. 


Mordecai pediu permissão para criar uma nova lei para que seu grupo se defendesse. Desta maneira, não aconteceu todo o extermínio previsto. Hamã foi enforcado por agir de má fé,  Mordecai assumiu seu lugar no posto,  tudo se resolveu, e as coisas foram devidamente explicadas.


Na verdade, acho que algumas vezes somos como esse rei distraído, que vai aceitando todas essas “meias verdades” passadas por gente mal intencionada, e só bate o desespero quando a gente descobre que alguém da nossa família é alvo de repressão ou até mesmo morte por fugir do padrão.


Só esclarecendo, o contexto original dessa história trata-se de Ester, uma moça estrangeira, judia, de religião monoteísta, que habita num local de uma cultura/religião politeísta, e que se casa com o rei da Pérsia para evitar a destruição do seu povo pelo terrível Hamã. 


Entretanto, ciclicamente ainda vemos esta história se repetir através de outros grupos: negros, judeus, gays, travestis, transexuais,  refugiados, imigrantes, pessoas com deficiência, etc. Atitudes racistas, homofóbicas, xenofóbicas não têm nada a ver com o amor de Deus. Muitas vezes se pensa que isto se refere a um ódio por outra identidade ou expressão do ser, mas é também a discriminação, o julgar como errado, o querer "consertar" a pessoa, o dizer que o espaço dela não é aqui, que deve ser quem realmente é "bem longe". Tudo isto é dar lugar para Hamã reinar, não Deus.  É Hamã no poder.


4) A  história é cíclica e a terra é redonda, não plana.


O espírito de Hamã volta e meia reaparece, como em um dos exemplos mais cruéis e dolorosos da humanidade na política nazista centralizada na figura de Hitler. Palavras bonitas, discursos convincentes de uma falsa superioridade de uma raça ariana para justificar a dominação e o extermínio de grupos. A lista de perseguição nazista não se limitava somente aos judeus, mas também a outros grupos, como homossexuais, ciganos, pessoas com deficiência, etc. Na época, não teve uma Ester para livrar, mas vale citar Alan Turing, que através da decodificação de códigos secretos, estima-se que tenha encurtado a 2º Guerra Mundial em mais de dois anos, e que isso tenha salvo mais de 14 milhões de vidas. Ele foi considerado o pai do computador e sua contribuição foi de grande valor até os dias de hoje. Se você está usando seu smartphone, ele teve uma boa parcela de contribuição no passado. E embora Alan Turing tenha ajudado tanto a humanidade, algo muito injusto aconteceu, ele foi condenado por ser gay. Foi sentenciado a se submeter a uma castração química, uma espécie de “cura gay” da época, e isso foi tão traumatizante para ele, que acabou se suicidando. Os homens o condenaram, mas os feitos dele se eternizaram. Anos se passaram, e os líderes ingleses perceberam o seu erro tardiamente e tentaram se redimir estampando o rosto de Alan Turing na nota de 50 libras. 


Montando esse imenso quebra-cabeças: no mundo sempre haverá pessoas diferentes, cada ser é único, e infelizmente alguns grupos sofrem repressões, tentativas de padronização ou de extermínio. Resta saber se daremos crédito ao decreto de  Hamã (Anticristo, anti-vida), que oprime, ou daremos crédito aos ensinos inclusivos de Cristo, o Autor de vida, que acolhe! 


Em amor,


Lina Linólica 


18/06/2021


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Notinhas que queria pôr no texto, mas que iam se perder na narrativa:

  1. O meu livro “Desconstrução”, foi um imenso quebra-cabeças que ando montando há anos, mas ainda tem muita coisa a ser escrita. 

  2. Para quem não conhece a narrativa, ela está no livro de Ester, na Bíblia (Velho Testamento). Ela se assemelha a um conto de fadas com rei, rainha, vilão, mocinho e, por isso, assim que ouvi no meu coração essa palavra, escrevi “A Estrela do Oriente”, uma mini novelinha - tá lá no linolica kids - www.linolica.com.br com outras historinhas que escrevia para crianças (isso faz tempoooo)

  3. Fiquei por anos perguntando quem seria o Hamã e assim que ouvi essa palavra no meu coração naquele ano de 2004, eu achei que o tal Hamã era a carne se manifestando na reestruturação da escola onde trabalhava com a demissão de algumas pessoas que aconteceu no ano seguinte. Daí escrevi uma carta para a direção da escola. Foi um desconforto, eu fiquei meio sem entender nada e também a direção não entendeu, o caso foi encerrado. Quando a gente não enxerga a coisa como um todo, acaba pagando esses micos e vive inventando teorias da conspiração. A gente fica procurando a “besta” na forma de gente e não é. Foi pura imaturidade/infantilidade. A escola foi uma bênção na vida dos meus filhos, foi benção na minha vida. Hoje eu vejo que Hamã era o meu “eu” religioso tentando “matar” meu filho gay quando inicialmente orava pela sua cura. A doente ali era eu. 

  4. Estava assistindo a série da Netflix coreana (eita vício) "A Caminho do Céu", e por várias vezes o protagonista Geu Ru monta quebra-cabeças. E assim é a nossa vida. Às vezes a gente não enxerga o todo, só pecinhas e acaba cometendo equívocos. Pelo fato do personagem Geu Ru ser diferente também, já me apaixonei pela série e, por isso, escolhi a metáfora dele para pôr nessa postagem. 

  5. Eu, com minhas peças bíblicas de quebra-cabeças, tentando ler esse livro fantástico como se fosse nos dias de hoje, reparo em uma parábola bíblica que Jesus conta, lá em Lucas 18:11. Dois homens orando. Um deles dizia: "Graças a Deus que não sou como esses", e é claro, tem todo o contexto da época. Mas e se fosse hoje? A oração deste homem seria mais ou menos assim: "Graças a Deus que nasci numa família nobre, sou homem, não sou ladrão, não sou preto, não sou gay. Faço tudo certinho e tá tudo bem, tô de boas.". E tinha um outro que batia no peito: "Senhor, tem misericórdia de mim, que sou pecador". E a imagem que me vem à mente é a do meu ex-aluno que foi preso injustamente, que não cometeu o crime que lhe foi imposto, mas  sua culpa era ser preto, e do homem que foi espancado na rua por simplesmente parecer gay, e da mulher que é violentada a caminho de casa simplesmente por ser mulher. Quantos mecanismos e formas de oprimir são criados por essa sociedade injusta, “quantos são mandados para a vala” só por serem quem são. E Jesus ali, olhando tudo isso, do “lado de fora”, procurando apenas corações solidários para acolher e ajudar a salvar aqueles que estão na mira do alvo. 





segunda-feira, 4 de março de 2019

Desativando homens bombas



Perguntou ele: "Quantos pães vocês têm? Verifiquem".
Quando ficaram sabendo, disseram: "Cinco pães e dois peixes".
Marcos 6:38

Um dia, em uma dinâmica com um grupo de professores, minha coordenadora nos perguntou mais ou menos assim: - Qual é o papel do educador na escola? Todas educadoras deram suas respostas politicamente corretas e a minha foi a mais estranha:
 - Desativar homens bombas. Ela arregalou os olhos como se dissesse: - oi? Como assim?
Como era uma dinâmica e a coisa tinha que fluir rapidamente, apenas disse: - foi isso mesmo que você ouviu: - desativar homens bombas. E segui o fluxo.
Às vezes, penso que ela me acha meio doida. Mas não consigo ser diferente. Tenho inquietações constantes na área da educação, porque é algo urgente e um menino que cresce recebendo “alimentos nocivos”, pode ser altamente perigoso na sociedade e vir a explodir e causar o maior estrago.
Mas voltemos a pergunta inicial de Jesus: - Quantos pães tem? Local deserto, sem nenhum Mcdonalds por perto, relva, muitas pessoas famintas, umas 5 mil e, Jesus ensinando.  Sim... adoro observar o mestre. Gosto muito de ver a educação desvinculada da religião, respeitando-se o credo de cada um, mas eu, particularmente, não consigo de forma alguma me desvincular de Jesus. Ele é o maior professor. E quando penso em salvação, só consigo pensar em educação. Às vezes espiritualizamos demais as coisas e perdemos a essência principal a qual Jesus quis nos compartilhar o tempo todo: - desativar a bomba que tem dentro de cada coração curando-os, distribuindo doses maciças de amor, inclusividade, ensinando a ver além dos muros e instigando-os a perceberem o potencial que cada um tinha dentro si - Grande Salvação!  Não é essa a função do professor?
Faz alguns dias que fico com alguns textos bíblicos saltitando na minha cabecinha e enquanto eu não escrevo, eles ficam pulando, pulando, feito pipocas, até eu escrever. Acho que esse é o meu pão e peixe. No sábado, escrevi o texto: - Gentalha, gentalha, gentalha referente à Natanael aquele que é convidado para seguir Jesus e faz um comentário meio xenofóbico. Se ficou curioso, clique aqui.
Voltando à educação.  Desativar homens bombas é mostrar que todo menino tem dons e habilidades e direcioná-los para o bem. Esse é o papel da educação.
Sou formada em Letras, mas curto demais trabalhar com a cultura digital dentro de uma Ong, pois tenho essa flexibilidade em inovar na educação. É nesse contexto, com meninos em situação de vulnerabilidade social imensa é que procuro extrair o que eles têm de melhor, e mostrar que eles têm valor, por isso, não me limito a ensinar-lhes simplesmente a mexer em computadores. Já os envolvi em projetos de leitura, e  em projetos onde gentileza gera gentileza. Dou-lhes reforço escolar através de um portal muito legal chamado “Mentes Notáveis”, onde matriculo uma turma de 20 alunos em séries diversas, porque tem gente que mal consegue escrever o nome e outros já são bons leitores e assim,  conseguem acompanhar o conteúdo, cada qual no seu passo e isso potencializa a sua autoestima. Já os ensinei programação e alguns deles gostaram tanto que foram procurar cursos mais avançados nessa área, também oferecidos pela Ong.  Nunca esqueço de ensiná-los a compartilhar conhecimento e a ajuda mútua através da minha famosa pasta de jogos cooperativos (que nada mais é que uma seleção dos meus escapes games prediletos que envolvem muita percepção e lógica). Ensino-lhes a construir robôs com kit lego e programa-los. Já escrevi roteiros e encenei pequenas peças e detectei talentos preciosos no teatro e tenho um sonho que minhas meninas atuem nessa área. Já trabalhei com edição texto, slides e de imagens (GIMP), até na área musical os incentivei a criar junto com o especialista em música. Dia desses vi um deles dançando e fiquei o motivando-o para prosseguir, para ver se dali saía alguma coisa bacana. Estou sempre à procura de um menino que tenha os 5 pães e 2 peixinhos, na minha multidão de meninos e fazer com que se multiplique. Essa é a missão do professor - achar no grupo alguém que produza vida,  e que multiplique em alimento. Isso é desativar homens bombas.
Na minha cabecinha, ao ler esse texto dos pães e peixes, vi uma mãezinha preparando o lanchinho para o seu menino: aquele que vai alimentar uma multidão. Eu sei que nem sempre os meus meninos da Ong têm uma mãezinha para lhes preparar o lanchinho, por isso, a gente tem um olhar especial para eles, mas quem tem, queria deixar um humilde conselho no preparo de um lanche saudável:
- Ensinem esses meninos a respeitarem seus mestres e a valorizarem a educação. Pais, sejam parceiros e confie no trabalho desses profissionais, não exigindo perfeição, mas sabendo que eles têm algo para agregar na vidinha de seus meninos.  Eu lembro que na época em que meus meninos iam à escola, às vezes discordava de uma determinada metodologia. Chamava a professora de canto, explicava meu ponto de vista discretamente e educadamente e tentava chegar a um acordo. Foram raras as vezes que isso aconteceu, mas NUNCA falei mal de um professor para meus filhos, pois o amor pelo aprendizado inicia-se  com o  honrar ao seu mestre.
- Ensinem esses meninos a viverem em sociedade, respeitando as diferenças. Ensine-lhes a serem pessoas de bem e que o mundo não gira em torno dele.
- Não deem muitas coisas para eles, para que não se percam. Ensine-os a ser e não a ter. Deem o essencial, que nem sempre é visível aos olhos. Uma dica: - Tente conhece-lo. É fundamental. Por isso, sente-se com ele sempre que puder para uma comidinha, um passeio, um bate papo, um jogo, uma leitura de um livro junto. Invente.  São nesses pequenos encontros, quase extintos pela correria do dia, que a gente acaba percebendo a particularidade de cada um.
- Plante a educação no coração de sua criança. Ela vai brotar, ela vai salvar.
Na sociedade de hoje tenho visto muitas mãezinhas preparando um lanchinho venenoso para seus filhos com ingredientes do ódio, da falta de respeito, da divisão, do racismo, da discriminação, da xenofobia, da homofobia e isso é tão nocivo na educação e mais ainda para a sociedade.  Mãezinhas, imploro: preparam “lanches” saudáveis para seus meninos.
Ainda ontem, eu assisti ao filme do Menino que descobriu o Vento.  Esse menino africano do Maláui, através da escassez, da fome, conseguiu fazer brotar de dentro de si os seus 5 pães e 2 peixinhos e pode oferecer a salvação de vidas ali na sua comunidade.  A escola o rejeitou por falta de dinheiro, mas a educação já estava plantada há muito tempo em seu coração e quando ela brotou, causou uma revolução tremenda, porque a semente era boa. Caso contrário, poderia explodir e virar o caos, que é o que temos visto em nosso país, tantos meninos indo para o caminho mais fácil da criminalidade, pois a semente plantada talvez não tenha sido boa e o alimento produzido é ruim.

Vamos plantar educação no coração dos nossos meninos?  Conto com todos: pai, mãe, avós, tios, professores, gente de bem. Vamos desativar homens bombas?

Lina Linólica 04/03/2019

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sábado, 2 de março de 2019

Gentalha, Gentalha, Gentalha!


“Pode vir alguma coisa boa de Nazare?”

João 1:45-49

Para pessoas normais, a frase desse Natanael já seria o suficiente para deixa-lo fora do grupo. Isso, em nossos dias, traduz mais ou menos assim:  Pode vir alguma coisa boa do nordeste? Pode vir alguma coisa boa da África? Pode vir alguma coisa boa da Argentina? Pode vir alguma coisa boa do movimento LGBT? Pode vir alguma coisa boa de um evangélico? Pode vir alguma coisa boa de um ateu? Pode vir alguma coisa boa de uma tribo indígena? Pode vir alguma coisa boa de um petista? Pode vir alguma coisa boa de um bolsonarista?  O jovem Natanael tinha a sua construção tão perfeita, sem contaminações que fica indignado em saber que o messias não veio de alguma cidade onde estavam os da “raça pura” de Israel. Era gentalha, gentalha, gentalha – parafraseando o Quico.
Felipe o leva para ver Jesus, que “desarma” Natanael não com uma bronca por pensar diferente, mas sorri (a parte do sorriso  é imaginação minha) e faz um elogio:” - Aí está um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade". João 1:47 . Aliás, bons líderes  extraem o  que  tem de melhor nas pessoas e fazem com que elas produzam frutos excelentes com seus dons e talentos. Elas tem um dom especial para detectar habilidades e competências.  Talvez o  dom de Natanael  fosse o da honestidade, ou seja, aquele que não é corrupto.
Natanael fica com cara de tacho (isso também é imaginação minha). E diz: Ei? De onde você me conhece?  E Jesus responde: da figueira.
Eu fiquei curiosa para saber o que aconteceu nessa figueira. Natanael estaria fazendo algo ilícito? Ele estaria tendo algum pensamento suicida? Ele estaria discutindo com alguém que não era da “raça pura” talvez um nazareno? Eu não sei... mas Jesus sabia e o desarma.
O bom líder, percebe as coisas discretamente. Não divide sua equipe por guetos, mas é inclusivo.  O bom líder não vê o mundo (Brasil) como um grande campo de batalha, onde quem é bom é aquele que pensa igual a ele e o inimigo é quem pensa diferente. Isso eu chamo de paranoia.  O bom líder não se ofende por conta de picuinhas e na sua equipe ele direciona os que pensam diferente não para dividir, mas para aprimorar no crescimento. Eu diria: agregar.
Inimigo que eu entendo é aquele que veio para roubar, matar e destruir, fora isso, existe apenas pessoas que pensam diferente. E ainda sim, penso que podemos “desativar meninos bombas” com a educação a fim de que sejam salvos e não se embrenhem por esse caminho,  mas deixo esse assunto para outra reflexão que escrevi  recentemente. Para lê-la, clique aqui. 
Só quero deixar uma reflexão para lançar a luz ao verdadeiro sentido de cristão que se perdeu por aí com tantas heresias.
É Natanael.  Antes que essa história acabe, você verá que os céus abertos, e os anjos de Deus descendo e subindo sobre o filho do homem.
É Natanael. Venha caminhar com esse “nazareno”, cujo espírito é feito da inclusividade. Deixe aflorar o seu lado bom, o da honestidade, e não o da corrupção, porque caso contrário,  irá continuar nesse caminho exclusivista, onde só você está certo, só você é o “bonzão” e o grande perigo é que vai começar a sair ratos e baratas desse esgoto.
É Natanael. Se desconstrua. Tire esses óculos do preconceito. Ande com um bom líder e daí sim você vai ver a verdadeira glória de Deus que não é feita de muros e trincheiras, mas de pontes da liberdade onde todos  possam passar. Vem Natanael, andar com Jesus!!!

Lina Linólica
02/03/2019

Notinha da autora:
Nessa sociedade mimimi é difícil achar “termos politicamente corretos”. Fui usar o termo messias e logo associei a alguém... mas deixa para lá.  Fui usar o termo líder maduro e logo associei a outro alguém, daí substituí por um “bom líder”, senão as pessoas que não estão conseguindo ler um texto inteiro, pegam só um pedacinho e transformam tudo isso em uma grande confusão.  Está difícil escrever algo.
Sim... pensei em  Ilona Szabó de Carvalho. Não a conheço, mas pelo que entendi é uma pessoa competente, mas a trataram como uma inimiga? Oi?
Sim, pensei no esgoto que tenho visto em tantos comentários, isso tem feito muito mal para  a alma humana. O moço que levou a facada e ficaram zombando. O ateu que mandaram pro inferno. O menino que morreu e ficaram zombando do avô preso. Pô gente, vai andar com Jesus, o nazareno, o inclusivo, o que desarma, o que sorri, o que salva, o que acolhe, senão esse Brasil vai ficar fedido demais.
Talvez insira mais esse capítulo no meu livro “desconstrução” que está à procura de um editor.

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