quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Sou uma mãe pela diversidade

 Em 1983, no ano em que decidi prestar vestibular e fui comunicar a decisão para o meu pai, ele disse: - Onde já se viu isso? Mulher tem que trabalhar, guardar dinheiro pro enxoval e depois casar. Você não tem meu apoio!

Eu, com a minha rebeldia adolescente, dei com ombros, trabalhei feito um camelo, passei até fome, e concluí minha graduação.  


Hoje, quando olho para o passado e lembro-me desse episódio, não me traz dor, apenas empatia por meu pai. Ele aprendera que tinha que  ser assim. Era o que estava dentro de seu campo de visão. No seu limite de aprendizado ele tentou me aconselhar. Tinha dado certo com minha irmã do meio e comigo deveria ser igual.  Não se mexe em time que está ganhando.


É claro que fiz diferente com meus filhos. Educação evangélica, leitura, jogos de lógica, mochilões.

Daí eu volto para o passado e olho pra mim educando meus filhos. Eu aprendi que tinha que ser assim. Era o que estava no meu campo de visão. Tinha dado certo com tantas famílias. Não saiu bem do jeito que eu achava que tinha que ser. Ele era diferente.


Não dá pra seguir um padrão.


Mãe pela diversidade


Há um ditado popular que diz:

Mãe é tudo igual, só muda o endereço.

É claro que toda regra tem exceção.

Mas filho não é tudo igual

Filho é especial, é único.

Como pode isso?

Mistérios do Criador.

Eu mesma, tive dois filhos

Tão diferentes, tão diversos.

Tão capazes de me salvar do meu

Egoísmo pueril, "das minhas certezas viscerais"

Eles foram chegando de mansinho.

Frágeis, cheirosinhos, fofinhos.

E um chip de "instinto leoa de proteção"

Foi implantado em mim. 

É aquele que é implantado em quase todas as

 Mães que e nos deixam muito parecidas:

Passamos a proteger, cuidar, educar, doar

E  tentamos  oferecer o que temos de melhor -

Tão somente para eles.

E nessas "oferendas de vida"

Tentamos passar 100% de nós.

Mas o grande conflito está aí.

Eles têm vida própria.

Eles crescem com suas identidades

Eles podem ter semelhanças físicas,

Mas a personalidade, até mesmo a sexualidade é diversa. 

E foi nesse estágio que um dia me encontrei.

Estudando, entendendo, acolhendo.

Sou mãe de um filho gay, o mais velho.

É estranho eu abrir o armário da sua intimidade,

Mas precisava fazer isso. 

Ele estava morando na Finlândia, quando me confidenciou que era gay

Sorte ou azar a minha por ele estar tão distante. 

Na minha ignorância fui orar pela sua cura.

Mas Deus me mostrou que eu que era a doente nessa história.

E a minha cura aconteceu 

Passei a olhar para outras mães com empatia protegendo seus "rebentos"

Cada uma dentro da sua individualidade.

Antes eu conhecia Jesus de ouvir falar, mas meus olhos foram abertos 

E passei andar com Ele em sua inclusividade

Em seu amor pelos mais excluídos, talvez os 

órfãos dessa sociedade religiosa moderna de pais homofóbicos que 

"abortam" meninos gays.



Lina


24/09/2022



Notas:



  • Em 2018, um boom de fakes news sobre ideologia de gênero assolaram a igreja evangélica. Elas chegavam em "pencas" pela WhatsApp e eu recebi dezenas delas, mas nunca abria e deletava todas. Amigos e conhecidos estatelavam os olhos e diziam,   tem que votar no fulano para não entrar a tal ideologia de gênero e eu engolia a seco, pois tenho um  filho gay e aquele era um assunto que ainda não estava muito resolvido. Um dia,  tomei coragem, e  abri um desses videozinhos e aquilo virou o estômago, me deu cólicas, suadouro - era uma lavagem cerebral. E percebi que era aquilo que durante toda a minha vida ouvi nos bancos da igreja, por anos fui doutrinada pela minha religião que isso era pecado, inferno e chamas.  Eu tinha um jovem gay na minha casa e tudo o que ouvi dentro da igreja não fazia sentido, fui pesquisar, ler e orar sobre o assunto, pois até então repetia como um papagaio aquilo que ouvira minha vida inteira e no íntimo Deus foi ministrando a cura da alma. Foi aí que tive o senso de urgência em compartilhar minha trajetória, que se inicia com a minha base, a construção, a desconstrução e por fim a reconstrução.


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  • O compartilhamento desses vídeos fez crescer um  grupo enfurecido e fundamentalista em prol da família brasileira, isso é tão agonizante, pois jovens lgbt tem sido perseguidos e é o grupo que mais morre assassinado, vítimas da homofobia aqui no Brasil. Você já pensou nisso quando compartilha um vídeo desses ou concorda com eles sem ao menos pesquisar? Eu pesquisei alguns  e tenho um deles aqui nos meus arquivos. Fiz questão de mantê-lo. Um vídeo adulterado, cheio de ódio, de mentiras infundadas para causar repulsa em quem assiste, de uma malignidade imensa  e  sabe quem é prejudicado? nossos jovens lgbt. Quem compartilha isso, precisa urgentemente de arrependimento.


quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Pai Nosso

 


Pai nosso que estás nos céus

Pai nosso, aprendi a rezar essa prece bem pequena. É uma clássica oração onde todos a conhecem bem.

Tenho pensado nessa oração em algumas madrugadas insones

Nela vejo Jesus nos ensinando a orar. Vejo um Jesus além do tempo, que nos convida a passear e perceber a ebulição de vida. É a oração mais revolucionaria de todos tempos. É atemporal. É escandalosa. É compartilhar o Pai com a prostituta, com o cobrador de imposto, com o marginalizado e tanta gente diferente, que aos  olhos da bolha religiosa  era escória. Não é pai meu, mas Pai Nosso. O Pai compartilhado com seres humanos desse planeta, que vê com generosidade corações contritos e quebrantados. Deus que ama o mundo que dá seu filho pra mostrar o caminho da vida.


Pai nosso, que não é dessa ou daquela religião, ele é grande demais para caber em templos feitos por mãos humanas, mas cabe individualmente em cada coração.


Pai nosso que não é egoistamente só meu, que não está preso na bolha da minha religião. O pai é nosso.


Pai, onde o  Deus Eterno é como Pai presente, que ama tanto que faz o verbo, virar  gente e habitar entre nós, através de Jesus.


Pai nosso. Expressão tão escandalosa num tempo obscuro onde o sangue da nobreza era diferente de outras castas. E Jesus derramou seu sangue pra nos unir ao Pai. E esse pai é pra todos, graças ao sangue de Jesus derramado que une a humanidade em amor. 


De tempos em tempos os nobres enclausuram a Deus, privilegiando-os a uma determinada casta social. Mas Jesus quebrou as bancas dos mercadores da fé, declarando que o PAI NOSSO é de todos. 

Esse ato causou sua crucificação e a nossa salvação.


Santificado seja o seu nome.


É não fazer deuses estranhos com o Deus Eterno. É não sujar o nome de Deus. É não banalizar o nome de Deus


Deus é santo, imaculado e não tem  características mesquinhas tão próprias de nós, seres mortais. Em toda as escrituras ele nos alerta para não sermos idólatras. Ou seja, construir um Deus a nossa imagem e semelhança.


Um dia lendo as escrituras, tão cheias de interrogações, no meu coração veio um sussurro suave. O resumo está no salmo 117. "Imenso é o seu amor leal". A partir dai descobri que o grande atributo do Santificado seja o teu nome está pautado no amor.


Santificado seja o teu nome - é não disseminar fake news em nome de Deus. Se não souber muita coisa… ore… silencie… seja reverente.


Santificado seja o teu nome é tirar as sandálias no solo sagrado da existência da humana e disseminar vida, libertando cativos, pois Deus é amor.

Cada um trava uma batalha no solo da existência

Moisés tira a sandália, pois o solo onde está pisando é sagrado. É nesse solo sagrado da existência humana que vem Jesus e nos ensina essa oração tão contundente. 

Se você conseguir entender esse início da oração, é um bom caminho andado, pois a continuidade dela se traduz num pedido para um reino justo, provedor das necessidades básicas, como o pão, o perdão e a libertação. "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje, perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amem...


22/09/2022





E para quem não leu meu livro "Desconstrução", ele está na Amazon - e-book via aplicativo Kindle - https://amz.onl/7yvNaBn




versão 2 pra gravar o vídeo:😊


Aos católicos, aos crentes, aos simpatizantes

Que nunca percamos a base dessa oração. 

Pai nosso que estás nos céus

 Frase profunda que nas madrugadas insones, ecoa nos meus pensamentos

Fico imaginando Jesus ensinando-nos a orar. 

Percebo-o como alguém além do seu tempo,

  Convidando-nos a passear

Prestando atenção no respirar e no fervilhar de vida que emana no planeta.

 É a oração mais revolucionária de todos os tempos. É atemporal. É escandalosamente generosa.

 É o compartilhar do Pai com o pescador, com prostituta,  com o cobrador de imposto, com o marginalizado e tanta gente diferente, que aos  olhos da bolha religiosa  eram indigentes.


Pai nosso, que não é egoisticamente dessa ou daquela religião, e muito menos de um partido político, ele é grande demais para caber em templos feitos por mãos humanas, mas cabe individualmente em cada coração.

Pai, onde o  Deus Eterno é como Pai presente, que ama tanto que faz o verbo, virar  gente e habitar entre nós, através de Jesus.

Em tempos obscuros, onde diziam que o sangue da nobreza era diferente de outros grupos sociais, veio  Jesus derramando o seu sangue pra nos unir ao Pai.

Tentaram  prender a Deus numa lâmpada mágica, privilegiando-o somente a alguns  por conta de alianças profanas. Mas Jesus quebrou as bancas dos mercadores da fé, declarando que o PAI NOSSO é de todos. 

Esse ato causou sua crucificação e a nossa salvação.

Santificado seja o seu nome.


É não fazer deuses estranhos com o nome do Deus Eterno. É não sujar o seu nome  e nem banalizar. Ele é santo, imaculado e não tem  características mesquinhas tão próprias de nós, seres mortais. 

Em toda a escritura Ele nos alerta para não sermos idólatras. Ou seja, construir um Deus a nossa imagem e semelhança. E não disseminar fake news em nome de Deus. Se não souber muita coisa… ore… silencie… seja reverente.


Um dia, lendo as escrituras, estava tão cheia de interrogações, no meu coração veio um sussurro suave. O resumo está no salmo 117. "Imenso é o seu amor leal". 


A partir daí descobri que o grande atributo do Santificado seja o teu nome está pautado no amor.

Moisés tira a sandália, pois o solo onde está pisando é sagrado, foi dito lá atrás, na era da lei.  É nesse  chão  da existência humana que vem Jesus, sem alarde,  sem pisoteá-lo e  dissipa medos, escuta sentimentos, ministra vidas,  liberta  cativos e nos ensina essa oração tão contundente. 

Se você conseguir entender esse início da oração, é meio caminho andado, pois a continuidade dela se traduz num pedido para um reino justo, provedor das necessidades básicas, como o  pão,  o perdão e a libertação. "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje, perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.




sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O motoqueiro e a velhinha

O motoqueiro e a velhinha


Precisava comprar lãs nesta semana para tricotar um cachecol e tive que ir até o centro de Osasco. Normalmente compro pela internet, mas tinha pressa, daí estacionei meu carro na praça padroeira do Brasil e fui até uma lojinha de lãs na rua da Besni. Comprei rapidamente o que precisava, pois só coloquei 30 minutos na zona azul  e deparei com uma cena que tem acionado meu estado de alerta com relação a raça humana.


O trânsito na rua da Besni estava bem congestionado. Os carros aguardavam o semáforo da Av. Maria Campos abrir. Um casal de velhinhos estava atravessando a faixa de pedestres entre os carros parados. Um motoqueiro não percebe o casal passando, e quase os atropela. Inicia aí uma série de impropérios. A velhinha irritada xinga o motoqueiro e o motoqueiro xinga a velhinha. 

O velhinho puxa a velhinha pelo braço e caminham apressadamente para a praça Padroeira do Brasil, e o motoqueiro continua disparando seus mísseis de raiva e ira contra os dois. A velhinha vira para trás e revida e o velhinho a puxa, querendo se livrar do desconforto.


E eu, no fogo cruzado, louca para dizer que as leis de trânsito também são para motoqueiros e que faixa de pedestre é para pedestre. 


Em outros tempos, diante do incidente, o motoqueiro diria: - Foi mal, dona… tava com uma pressa danada e nem vi a senhora. Desculpa aí, a senhora tá bem?!

E a velhinha : - ô meu filho, que susto levei… mas que bom que ninguém se machucou… presta mais atenção, aqui é uma faixa de pedestres, mas enfim… tá tudo bem, vai em paz. 


E a vida seguiria seu fluxo, mas eu não sei quando esses bons e básicos costumes se perderam. Hoje é tudo motivo para guerra. É muita gente armada em todos os sentidos. 







sexta-feira, 3 de junho de 2022

Qual é a mentira que contaram pra você?

 Um moço sentado e cansado na beira de um poço num dia muito quente. Uma moça aparece para tirar água. 

- Dá um pouco de água? - diz o moço. 

A vida inteira contaram pra essa moça que pessoas como aquele jovem eram inimigos. 

A vida inteira contaram para aquela moça que o lado dela é que era o correto.

 Esse moço do poço era Jesus e ele desmente todo esse mal entendido.

Somos muito binários, somos propensos a divisão e quase imperceptivelmente estamos  

numa torcida organizada, numa marcha dizendo que o nosso lado é o correto.

Na nossa infantilidade queremos criar 3 cabaninhas, separando Jesus, Elias e Moisés e isso é cortina de fumaça, é distração, pois  logo vem a revelação do próprio Deus dizendo que ouçam a Jesus.

E assim mentiras vão sendo contadas pra gente no decorrer da vida.

Na década de  70, eu era uma criança e contaram para mim que a mulher da rua de cima era desquitada. Era como se essa mulher tivesse uma doença contagiosa e que devia atravessar a rua e nunca falar com ela. Contaram que  minha vizinha era espírita  e eu  morria de medo dela  achando  que na sua casa tinha fantasmas por todos os lados. Um parente nosso foi expulso de casa por namorar uma jovem preta e eu não entendia o porquê. Sim… eu… aquela menininha de 5 ou 6 anos que presenciou tudo isso. Naqueles anos 70 não tinha muito conhecimento das coisas, pessoas contavam coisas e a gente simplesmente acreditava.



Anos se passaram, existe uma gama imensa de conhecimento, mas ainda tem tanta gente assim…acreditando em tudo que lhe conta, promovendo tantas rachaduras, tantas dissensões e discursos de ódio.  As mentiras continuam a ser contadas com outras roupagens, como se fossem verdades absolutas ou até meias verdades e sempre tem gente caindo na mentira criada pelos homens. 

E como perceber se estou sendo enganada? 

É beber da água da vida - Jesus. Ele nos deixou o seu exemplo, a sua vida.

Daquele que não faz acepção de pessoas e olha com generosidade para o diferente. Daquele que não vê sexo, mas vê corações.

Daquele tira cargas pesadas impostas pelos homens

Daquele que passa pela vida com leveza. 

Daquele cuja a linguagem é o Amor. 

Daquele que não tem pacto com o pai da mentira. 

Daquele que vê corações que adoram a Deus em espírito e verdade.

 Se tiver disponível em seu coração,  ofereça água de Jesus para quem tem sede, mas sem o combo da carga pesada de um deus estranho. 


Em amor e na luz


Lina


Nota 1: Baseado nas passagens bíblicas:  João 4:6-42 e Mateus 17:1-8,  as quais tenho meditado nesses dias. 

Nota 2:

Escrevi esse texto nessa madrugada de 03 de junho de 2022. Voltei pra cama sonolenta e tive um sonho estranho:  Estava no último andar de um sobrado quentinho e seguro com o meu filho. Lá fora, estava muito escuro. Um verdadeiro breu. Ouvi uma voz no meu coração para que eu abrisse a janela a fim de  sair a claridade da casa, dissipar aquelas trevas,  afugentar ladrões que ali rondavam se aproveitando da escuridão e mostrar que tinha gente habitando ali.

 Lembrei do livro Desconstrução e outros textos como o Diferente que tento trazer um pouco de luz sobre tantas mentiras que nos contaram. 

"O diferente" - http://linolica.blogspot.com/2021/06/o-diferente.html

 E para quem não leu meu livro "Desconstrução", ele está na Amazon e você pode adquirir pelos links:


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Chip na mão

 E te será por sinal sobre tua mão e por lembrança entre teus olhos, para que a lei do Senhor esteja em tua boca; porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egito. Êxodo 13:9



 

Estou lendo o livro de êxodo e me deparei com esse versículo. Sim… eu amo esse livro, embora ando assustada com tantas "manipulações" e "teorias da conspiração" embasadas em versículos bíblicos.


Ao ler esse versículo, sorri, recordando  de uma oração que fiz no ano de 1999 e que tenho feito nas minhas preces corriqueiras e diárias: "Senhor… abençoa minhas mãos e me capacita...". 


Naquele ano de 1999 me propus a ensinar informática para crianças, mas não sabia o que viria pela frente. Na verdade era formada em letras e não tinha capacitação para essa área, apenas poucas experiências “fuçando” computadores.  No meu íntimo, estava assustada e por isso, pedi direção de Deus naquilo que iria fazer. E todos os dias, nas minhas preces corriqueiras, sempre digo: - Capacita-me!


Seja ensinando meninos a mexer em computador, seja fazendo roteiros de viagem e mochilando para países que mal sei a língua,  seja ensinando meninos a construir robôs e programando, seja tricotando uma peça de crochê, seja escrevendo um texto ou poema, seja ensinando pessoas a plantar em hortas hidropônicas, seja assando bolos, seja simplesmente sendo mãe/esposa, sei lá… às vezes até esqueço dos desafios que propus em fazer no decorrer da minha existência.


 No meu dia a dia nunca pedi a Deus para ser rica, ter altos cargos, pelo contrário, acho tudo isso muito cansativo. Gosto de ter liberdade e leveza para criar, ou seja,  usar minhas mãos para fazer coisas legais. Esse foi o chip que pedi a Deus para por em minhas mãos naquele ano de 1999. Já ouvi muita teoria absurda sobre chip de vacina, marca da besta etc… Eu prefiro acreditar no "chip" que Deus implanta em nossas vidas vem através de orações sinceras pedindo a Jesus sabedoria no nosso caminhar, sem ferir a existência de NINGUÉM, mas promover atos de vida. Não sou uma Madre Tereza de Calcutá, mas gosto de semear coisas boas, sem divisões por "castas", e sei que o contrário disso é anti vida… talvez tenha muita gente já tenha implantado esse chip através de racismo, homofobia, divisões e por aí afora e nem tenha percebido. 


Foi nisso que pensei hoje…


Lina Linólica 


20/01/2022


Gostou dessa meditação? aproveita para ler também "o diferente" - http://linolica.blogspot.com/2021/06/o-diferente.html


ou


QUAL MENTIRA CONTARAM PARA VOCÊ?



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A versão impressa deste livro é gerada pela Amazon dos Estados Unidos e custa em torno de R$ 50,00, mas ainda tem o frete (bem carinho), mas caso tenha interesse em comprá-lo: https://www.amazon.com/dp/B095GPCRZJ?ref_=pe_3052080_397514860




terça-feira, 22 de junho de 2021

O Diferente

 As Escrituras podem nos tornar assassinos ou sábios. Pelo visto, esta frase foi a que mais impactou os leitores do meu livro nos feedbacks que recebi. Preciso confessar que teve um capítulo que não consegui escrever, que era justamente sobre um assassino.


Foi em 2004 quando ouvi a seguinte palavra no meu coração: “- Cuidado, Hamã no Poder”.  Era uma peça de um quebra cabeça que não conseguia montar, mas a beleza das escrituras consiste nisso: uma mescla de peças que vai se ajustando até formar uma linda imagem. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando até ser dia perfeito” 


1. O Diferente


Imagine-se num lugar onde você é diferente de quase todo mundo e não consegue  se enquadrar naquele padrão. Algumas pessoas te olham meio desconfiadas e outras desejam-lhe a morte. E a coisa se intensifica tanto que uma fake news sobre o seu jeito de ser, bem elaborada, cheia de meias verdades chega até o líder daquele lugar. Agora a sua vida e de todos aqueles que não se enquadram naquele padrão estão condenados à morte. 


 Não é fácil ser diferente num lugar assim e muitas vezes é necessário mentir ou omitir sobre sua identidade. O opressor não tem empatia, apenas a certeza absoluta de que o diferente precisa morrer, por não seguir os padrões absolutos da sua religião.


2. Quem são as personagens:


Ester - uma linda moça que esconde a sua identidade, pois é perigoso ser o que ela era. Casa-se com o rei, omitindo essa informação. 


Mordecai - Não omite sobre quem é, se recusa ser igual a todo mundo e, por ser assim, traz desconforto para aqueles que não pensam como ele, sendo julgado muitas vezes como rebelde, ou algo do gênero.  Discretamente, ele salva o rei de ser morto e ninguém nem faz nada por isso.


Hamã -  Um homem de família, casado com Zeres, pai de 10 filhos. Abaixo do rei, ele era a maior autoridade. Bem sucedido, tinha tanto zelo e amor pelo país que criou um decreto para exterminar um pequeno grupo “rebelde” que agia diferente de todo mundo daquele lugar, prometendo inclusive lucro aos cofres públicos. “E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumpre as leis do rei; por isso não convém ao rei deixá-lo ficar.


Se bem parecer ao rei, decrete-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei.” Ester 3:8-9. Pelo menos foi assim que ele se apresentou ao rei, mas a verdade é que Hamã tinha uma raiva mortal de Mordecai e, de forma sutil e ardilosa, transformou uma meia verdade em um decreto de morte. Era o assassino, o vilão dessa trama, mas  ninguém percebia. 


Rei Assuero - Distraído, acaba assinando o decreto de Hamã, porque não pesquisou direito à informação e tudo parece bem: “bora beber e comemorar, afinal é só um povinho sem valor". Que diferença faria para a humanidade? Já que eles não têm nada a agregar, nem  proximidade havia com o povo em questão... - “Sabe de nada, inocente…”



3.  E o que aconteceu? 



Hamã consegue o que quer. O rei assina o decreto de morte aos diferentes.


Só que o Rei Assuero, ao saber que sua linda esposa fazia parte deste “grupo dos diferentes” e, que o homem que tinha lhe salvado não era tão perigoso como Hamã havia “pintado”, ficou desesperado. A lei já tinha sido publicada e não podia ser cancelada. 


Mordecai pediu permissão para criar uma nova lei para que seu grupo se defendesse. Desta maneira, não aconteceu todo o extermínio previsto. Hamã foi enforcado por agir de má fé,  Mordecai assumiu seu lugar no posto,  tudo se resolveu, e as coisas foram devidamente explicadas.


Na verdade, acho que algumas vezes somos como esse rei distraído, que vai aceitando todas essas “meias verdades” passadas por gente mal intencionada, e só bate o desespero quando a gente descobre que alguém da nossa família é alvo de repressão ou até mesmo morte por fugir do padrão.


Só esclarecendo, o contexto original dessa história trata-se de Ester, uma moça estrangeira, judia, de religião monoteísta, que habita num local de uma cultura/religião politeísta, e que se casa com o rei da Pérsia para evitar a destruição do seu povo pelo terrível Hamã. 


Entretanto, ciclicamente ainda vemos esta história se repetir através de outros grupos: negros, judeus, gays, travestis, transexuais,  refugiados, imigrantes, pessoas com deficiência, etc. Atitudes racistas, homofóbicas, xenofóbicas não têm nada a ver com o amor de Deus. Muitas vezes se pensa que isto se refere a um ódio por outra identidade ou expressão do ser, mas é também a discriminação, o julgar como errado, o querer "consertar" a pessoa, o dizer que o espaço dela não é aqui, que deve ser quem realmente é "bem longe". Tudo isto é dar lugar para Hamã reinar, não Deus.  É Hamã no poder.


4. A  história é cíclica e a terra é redonda, não plana.


O espírito de Hamã volta e meia reaparece, como em um dos exemplos mais cruéis e dolorosos da humanidade na política nazista centralizada na figura de Hitler. Palavras bonitas, discursos convincentes de uma falsa superioridade de uma raça ariana para justificar a dominação e o extermínio de grupos. A lista de perseguição nazista não se limitava somente aos judeus, mas também a outros grupos, como homossexuais, ciganos, pessoas com deficiência, etc. Na época, não teve uma Ester para livrar, mas vale citar Alan Turing, que através da decodificação de códigos secretos, estima-se que tenha encurtado a 2º Guerra Mundial em mais de dois anos, e que isso tenha salvo mais de 14 milhões de vidas. Ele foi considerado o pai do computador e sua contribuição foi de grande valor até os dias de hoje. Se você está usando seu smartphone, ele teve uma boa parcela de contribuição no passado. E embora Alan Turing tenha ajudado tanto a humanidade, algo muito injusto aconteceu, ele foi condenado por ser gay. Foi sentenciado a se submeter a uma castração química, uma espécie de “cura gay” da época, e isso foi tão traumatizante para ele, que acabou se suicidando. Os homens o condenaram, mas os feitos dele se eternizaram. Anos se passaram, e os líderes ingleses perceberam o seu erro tardiamente e tentaram se redimir estampando o rosto de Alan Turing na nota de 50 libras. 


Montando esse imenso quebra-cabeças: no mundo sempre haverá pessoas diferentes, cada ser é único, e infelizmente alguns grupos sofrem repressões, tentativas de padronização ou de extermínio. Resta saber se daremos crédito ao decreto de  Hamã (Anticristo, anti-vida), que oprime, ou daremos crédito aos ensinos inclusivos de Cristo, o Autor de vida, que acolhe! 


Em amor,


Lina Linólica 



18/06/2021


 E para quem não leu meu livro "Desconstrução", ele está na Amazon -  e-book via aplicativo Kindle  - https://amz.onl/7yvNaBn



Notinhas que queria pôr no texto, mas que iam se perder na narrativa:


O meu livro “Desconstrução”,  foi um imenso quebra-cabeças que ando montando há anos, mas ainda tem muita coisa a ser escrita. 


Para quem não conhece a narrativa, ela está no livro de Ester, na Bíblia (Velho Testamento). Ela se assemelha a um conto de fadas com rei, rainha, vilão, mocinho e, por isso, assim que ouvi no meu coração essa palavra, escrevi “A Estrela do Oriente”, uma mini novelinha - tá lá no linolica kids - www.linolica.com.br com outras historinhas que escrevia para crianças (isso faz tempoooo)


Fiquei por anos perguntando quem seria o Hamã e assim que ouvi essa palavra no meu coração naquele ano de 2004, eu achei que o tal Hamã era a carne se manifestando na reestruturação da escola onde trabalhava com a demissão de algumas pessoas que aconteceu no ano seguinte. Daí escrevi uma carta para a direção da escola. Foi um desconforto, eu fiquei meio sem entender nada e também a direção não entendeu, o caso foi encerrado. Quando a gente não enxerga a coisa como um todo, acaba pagando esses micos e vive inventando teorias da conspiração. A gente fica procurando a “besta” na forma de gente e não é. Foi pura imaturidade/infantilidade. A escola foi uma bênção na vida dos meus filhos, foi benção na minha vida. Hoje eu vejo que Hamã era o meu “eu” religioso tentando “matar” meu filho gay quando inicialmente orava pela sua cura. A doente ali era eu. 


Estava assistindo a série da Netflix coreana (eita vício) "A Caminho do Céu", e por várias vezes o protagonista Geu Ru monta quebra-cabeças. E assim é a nossa vida. Às vezes a gente não enxerga o todo, só pecinhas e acaba cometendo equívocos. Pelo fato do personagem Geu Ru ser diferente também, já me apaixonei pela série e, por isso, escolhi a metáfora dele para pôr nessa postagem. 


Eu, com minhas peças bíblicas de quebra-cabeças, tentando ler esse livro fantástico como se fosse nos dias de hoje, reparo em uma parábola bíblica que Jesus conta, lá em Lucas 18:11. Dois homens orando. Um deles dizia: "Graças a Deus que não sou como esses", e é claro, tem todo o contexto da época. Mas e se fosse hoje? A oração deste homem seria mais ou menos assim: "Graças a Deus que nasci numa família nobre, sou homem, não sou ladrão, não sou preto, não sou gay. Faço tudo certinho e tá tudo bem, tô de boas.". E tinha um outro que batia no peito: "Senhor, tem misericórdia de mim, que sou pecador". E a imagem que me vem à mente é a do meu ex-aluno que foi preso injustamente, que não cometeu o crime que lhe foi imposto, mas  sua culpa era ser preto, e do homem que foi espancado na rua por simplesmente parecer gay, e da mulher que é violentada a caminho de casa simplesmente por ser mulher. Quantos mecanismos e formas de oprimir são criados por essa sociedade injusta, “quantos são mandados para a vala” só por serem quem são. E Jesus ali, olhando tudo isso, do “lado de fora”, procurando apenas corações solidários para acolher e ajudar a salvar aqueles que estão na mira do alvo.